João Queiroz: caso Calabote revisitado 50 anos depois
O jornalista João Queiroz escreveu o livro que conta o caso do primeiro árbitro irradiado em Portugal

Fez história no mundo do futebol e teve o seu nome transformado em adjectivo. Inocêncio Calabote foi o primeiro árbitro a ser irradiado em Portugal e o "pai" da palavra calabotice. Desde 1959 que, na gíria do futebol, calabotice é mais uma forma de dizer roubar ou enganar.
Na temporada 1958/59, Calabote terá tentado ajudar o Benfica a vencer o campeonato ao FC Porto - que acabou por ganhar por um golo de diferença. Os dois clubes lutaram pelo primeiro lugar até ao último minuto. O FC Porto defrontava o Torreense fora e, ao mesmo tempo, o Benfica jogava contra a CUF em casa. O árbitro atrasou o jogo do Benfica oito minutos e mentiu no relatório de arbitragem. Calabote nunca assumiu o erro e por ter mentido foi irradiado.
O jornalista João Queiroz, de 24 anos, que começou no desporto do "Jornal de Notícias", sempre se interessou pela história. Como em 2009 se assinalavam os 50 anos da efeméride, resolveu investigar o caso.
Foram três meses de pesquisa, em que analisou dezenas de jornais da época e fez questão de entrevistar as pessoas que estiveram ligadas à história. "Encontrei factos interessantes. Por exemplo, o treinador-adjunto do Benfica esteve no banco do Torreense (equipa que ia defrontar o Porto). Na altura os jogadores disseram que ele não lhes tinha dado instruções. A intenção era dar um prémio caso ajudassem o Benfica a ser campeão, ao derrotarem o Porto. Coisa que não aconteceu", conta João Queiroz. O escritor defende que o tema se mantém actual. "Toda a gente fala dos problemas da arbitragem e da calabotice no futebol."
João Queiroz tentou seguir o rasto da vida de Inocêncio Calabote, que morreu na década de 90, apesar de o livro se centrar na polémica do jogo. "Entrevistei vizinhos do árbitro. Ele vivia em Évora e depois do escândalo foi para Tunes, no Algarve, porque ficou muito marcado. Nunca foi provado que tinha sido comprado, nem mostrava sinais exteriores de riqueza. Acho até que nem tinha carro", explica o jornalista. O livro, com prefácio de Álvaro Magalhães, é lançado no domingo, às 17h30, na Bertrand do Dolce Vita Porto.
In:http://www.ionline.pt

ficha do filme
Título original: Dois Dias no Paraíso
De: Arthur Duarte
Com: Milú, Virgílio Teixeira, António Silva, Carmen Mendes
POR, 1957, Cores, 140 min.

Produção da Lisboa Filme, "Dois Dias no Paraíso" segue a personagem de uma vedeta da revista portuguesa, Diana Delmar: em Madrid, em centésima representação da revista Dois Dias no Paraíso, Diana parte inesperadamente para Lisboa quando recebe um telegrama, deixando em pânico os seus empresários espanhol e português. O filme inclui excertos de um jogo de hóquei em patins entre Espanha e Portugal. "Dois Dias no Paraíso" não é exibido na Cinemateca desde 1986, quando foi apresentado por ocasião de uma retrospectiva António Silva.
LISBOA
Cinemateca Portuguesa
Sala Luís de Pina
22h
A Magia dos Patins
Em Santarém, o Hóquei clube é o ninho mágico de onde nascem pardalitos com asa nos pés. A modalidade deve-lhe muito e Santarém ainda mais. Um par de patins liberta o corpo e a alma, embala, navega e dança quem os calça nos pés, e voa, livres da força que nos empurra para a terra. Patinar é como um sopro, o perpetuo movimento do ar, um corpo transformado em vento, a descoberta do ritmo, um baile como as valsas de Strauss, em que nos vestimos de gala por dentro.
Fui fraco patinador mas cresci, e vivi, fascinado por esta modalidade que é arte. Competição e espectáculo. Ainda hoje, quando assisto ao um jogo me vem á memória a imagem dos pássaros que voam em corpo de gente.
Quero agradecer ao Hóquei Clube a paixão com que ensina os nossos filhos o prodígio das viagens pelo céu do nosso chão. Agradecer o investimento técnico, associativo e afectivo nesta prática desportiva que tem em Portugal um dos maiores ícones do mundo.
E dar-lhes os parabéns. Por fazer que continuemos a acreditar que os homens podem voar com asas nos pés. A caminho dos sonhos. São eles que comandam a vida.
O Presidente da Câmara Municipal
Francisco Moita Flores
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